Évora · hora local 38,57° N · 7,91° O Reserva Dark Sky Alqueva a 50 km Fases da Lua

Astronomia amadora a partir do Alentejo, sob um dos céus mais escuros da Europa

Superfície lunar coberta de crateras fotografada em grande pormenor
Observar o céu

Guia para observar a Lua: do terminador às crateras mais famosas

A Lua é o único astro que mostra paisagem a qualquer instrumento. Com um pouco de método, cada noite do ciclo revela crateras, cordilheiras e vales diferentes — mesmo a partir do centro de uma cidade.

Inês Carvalho5 min de leituraAtualizado a

Muitos principiantes esperam pela Lua cheia para a observar pela primeira vez. É compreensível — está alta, redonda e brilhante — mas é justamente a fase menos interessante. Com o Sol a iluminá-la de frente, as sombras desaparecem e o relevo fica achatado. O segredo está numa linha: o terminador.

O ciclo lunar em 29,5 dias

A Lua completa uma órbita em torno da Terra em 27,3 dias, mas demora 29,53 dias — o mês sinódico — a regressar à mesma fase, porque entretanto a Terra avançou na sua órbita em torno do Sol. Na Lua nova está entre nós e o Sol, invisível. Nos dias seguintes surge como um crescente fino ao anoitecer, a oeste. Por volta do sétimo dia chega ao quarto crescente, metade iluminada, visível na primeira metade da noite. Na Lua cheia nasce ao pôr do Sol e fica no céu a noite inteira; depois, o ciclo repete-se ao contrário, com o quarto minguante visível apenas de madrugada.

Use a calculadora abaixo para saber em que fase estará a Lua em qualquer data. O cálculo é feito no seu navegador a partir do ciclo sinódico médio e das correções periódicas usadas pelos astrónomos para prever luas novas e cheias com precisão de minutos.

Calculadora de fases da LuaCiclo sinódico de 29,53 dias

Em que fase está a Lua?

Escolha uma data para ver a fase, a percentagem iluminada e as próximas Luas cheia e nova. As horas estão em hora de Portugal continental.

FaseLua cheia
Iluminação99%
Idade14,6 dias
TendênciaA crescer
Próxima Lua cheia: sábado, 26 de setembro de 2026, 17:49
Próxima Lua nova: sábado, 10 de outubro de 2026, 16:50
Lua muito brilhante: aproveite para observar planetas e estrelas duplas.

O terminador: onde o relevo ganha vida

O terminador é a fronteira entre o dia e a noite lunares. Aí o Sol está rasante, tal como ao nascer ou ao pôr do Sol na Terra, e cada cratera projeta uma sombra longa e negra. Uma parede de 3 km de altura pode estender a sombra por dezenas de quilómetros. É por isso que o mesmo lugar muda completamente de aspeto de uma noite para a seguinte: o terminador avança cerca de 12 graus de longitude lunar por dia.

Um bom hábito é observar sempre ao longo desta linha, percorrendo-a de norte a sul. Com 50 a 100 aumentos, qualquer telescópio mostra picos centrais iluminados dentro de crateras ainda mergulhadas na sombra — um efeito que, por breves horas, parece um farol aceso no meio da noite.

Pormenor da superfície da Lua junto ao terminador, com crateras e sulcos em relevo
Junto ao terminador, a luz rasante revela sulcos, cristas e pequenas crateras invisíveis na Lua cheia.

Roteiro de crateras e mares por fase

Os dias contam-se a partir da Lua nova; o roteiro repete-se em sentido inverso no quarto minguante.
Idade da LuaOnde olharO que procurar
3–4 diasBordo lesteMare Crisium, uma planície oval isolada; cratera Cleomedes
5–6 diasNordeste e centro-lesteCordilheira do Cáucaso, crateras Teófilo, Cirilo e Catarina
7–8 dias (quarto crescente)CentroVale Alpino, Montes Apeninos, Rupes Recta — a «parede reta»
9–10 diasCentro-oesteCopérnico, com as suas paredes em socalcos; Platão e o seu fundo escuro
11–12 diasOesteGassendi, Aristarco (a cratera mais brilhante), Vale de Schröter
14–15 dias (cheia)Todo o discoRaios brilhantes de Tycho e Copérnico, contraste de albedo entre mares e terras altas
Planície lunar com pequenas crateras e cristas fotografada a partir de órbita
Imagem de sonda em órbita lunar: ao telescópio, o mesmo tipo de cristas vê-se junto ao terminador.

Na Lua cheia, a ausência de sombras tem uma vantagem: destacam-se os sistemas de raios, riscas claras de material ejetado por impactos recentes (em termos geológicos). Os raios de Tycho estendem-se por mais de 1500 km e são visíveis até com binóculos.

Técnica de observação e registo

Observe quando a Lua estiver o mais alta possível no céu, longe da turbulência junto ao horizonte. Deixe o telescópio arrefecer ao ar livre durante meia hora, sobretudo se estava guardado dentro de casa. Comece com uma ocular de baixa ampliação para se orientar e suba gradualmente; a turbulência atmosférica — o «seeing» — dita o limite da noite.

Desenhar é a melhor forma de aprender a ver. Basta um lápis macio, papel branco e cinco minutos por cratera. Registe a data, a hora, o instrumento e a ampliação. Ao fim de alguns meses terá um caderno que mostra como o mesmo lugar muda com a iluminação — e uma memória visual que nenhuma fotografia substitui.

Lua cheia a nascer sobre uma paisagem rural com árvores ao entardecer
A Lua cheia nasce ao pôr do Sol: bonita no horizonte, mas pobre em relevo ao telescópio.

Curiosidades que vale a pena confirmar

  • Luz cinzenta: nos crescentes finos, a parte escura brilha levemente com a luz refletida pela Terra.
  • Libração: ao longo do mês, vê-se cerca de 59% da superfície lunar, e não apenas metade.
  • Ilusão lunar: a Lua parece maior junto ao horizonte, mas o tamanho angular é praticamente o mesmo.
  • Ocultações: a Lua passa à frente de estrelas e planetas, que desaparecem instantaneamente atrás do bordo.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor fase para observar a Lua?

Entre o quarto e o décimo dia após a Lua nova e na fase equivalente do quarto minguante. O terminador cruza zonas ricas em crateras e as sombras são longas.

Olhar para a Lua cheia ao telescópio faz mal aos olhos?

Não causa danos, apenas encadeamento temporário. Um filtro lunar ou uma ampliação maior tornam a observação mais confortável.

Porque é que vemos sempre a mesma face?

A rotação da Lua está sincronizada com a sua translação: demora o mesmo tempo a rodar sobre si própria e a dar uma volta à Terra.

A calculadora funciona para datas antigas?

Sim, com boa aproximação para qualquer data entre os séculos XIX e XXI. Para efemérides oficiais consulte o Observatório Astronómico de Lisboa.

Retrato ilustrativo de Inês Carvalho

Inês Carvalho

Editora e astrofotógrafa

Fotografa o céu do Alentejo há doze anos e coordena a edição da Wide Sky. Formada em Física pela Universidade de Évora, prefere a Lua em quarto crescente a qualquer nebulosa.

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